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“Ele, vindo a nós, se revela fonte de unidade para a vida de todo ser humano” . Nele cai o muro de separação entre os povos (cf.Ef 2,14).
“E o verbo se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1,14). Vivemos nestes dias a alegria da encarnação de Deus. A feliz notícia levada aos pastores ressoa também aos nossos ouvidos: “hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor” (Lc2,11). Deus faz-se humano, entra na nossa história, agora fala-nos diretamente. “Já não é o Deus distante, que, através da criação e por meio da consciência, se pode de algum modo de intuir de longe. Ele entrou no mundo” (Papa Bento XVI). Aquele que pela ação do Espírito Santo se fez carne no seio de Maria, também, pela ação do Espírito Santo, faz-se presente no pão consagrado sobre o altar. Ele é, como nos sugere o tema do XVI CEN, ”Pão da Unidade dos Discípulos Missionários”. “Ele, vindo a nós, se revela fonte de unidade para a vida de todo ser humano” (texto base p.7). Nele cai o muro de separação entre os povos (cf.Ef 2,14).
Deus criou nossos primeiros pais para viverem em comunhão e unidade. Contudo, eles romperam com o projeto de Deus e, marcados pelo egoísmo, dividiram-se. Assim, a divisão está presente no coração humano desde as nossas origens. A história da salvação relatada pela Bíblia é marcada pela insistência de Deus em amar o seu povo, mas também pela divisão entre as pessoas e instituições. Adão e Eva, Caim e Abel, José e seus irmãos, os filhos de Israel, são exemplos de divisão.
As rupturas estão presentes nos relacionamentos interpessoais, nas comunidades cristãs, nos grupos da sociedade, entre povos e nações. Elas refletem o drama da divisão presente no interior do ser humano.
O ser humano, ápice da criação, também deve viver em harmonia com todos os seres que vivem na terra, no ar e nas águas. “Pode-se, portanto, esperar do homem uma reflexão e uma postura éticas sobre a gestão dos bens criados em vista da preservação e melhoria de condições de vida na terra” (Texto Base p.28).
Vivemos uma preocupação atual com o aquecimento global, fruto do desenvolvimento sem freio que emite 40 bilhões de toneladas de gases poluentes por ano no planeta, produzidas pela queima de combustíveis e destruição da natureza. A possibilidade real de um aquecimento superior a dois graus Celsius seria devastador: traria o desaparecimento de muitas cidades litorâneas, milhões de mortes, doenças e desertificações.
Movidos por esta preocupação, 192 países participaram recentemente da conferência de Copenhague, onde discutiram sobre o efeito estufa, e deveriam estabelecer metas para que o aquecimento global não ultrapasse 2ºC até o fim do século. Contudo, falou mais alto o egoísmo humano e a sede do lucro. Aquele encontro que traria um comprometimento com a vida planetária trouxe frustração.
Jesus, o Emanuel, é o cordeiro de Deus que vem a este mundo marcado pela discórdia, para retirar a divisão. Para isto faz-se fraco com os fracos, indo ao limite da ruptura da existência humana: a morte. Como discípulos missionários e alimentados pelo pão da unidade, “devemos denunciar quem dilapida as riquezas da terra, provocando desigualdades que bradam ao céu” (Sacramentum Caritatis n.90).
“As comunidades eucarísticas são como uma nova aurora para o mundo, pelo que fazem, pelo que são e, sobretudo, por Aquele que nelas vive: o Príncipe da paz. Reconhecemos em Jesus Eucarístico o menino que nasceu, conforme o profeta Isaías, cujo reino está consolidado sobre o direito e a justiça, assegurando o estabelecimento de uma paz sem fim” (Texto Base p.70).
Pe. Jeová Elias Ferreira |