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A unidade dos irmãos na fé e no amor permite que os de fora, vendo as obras de Cristo vivo e ressuscitado na sua Igreja o reconheçam e sejam atraídos para Ele
Nos últimos meses nos chegaram notícias das perseguições que as comunidades cristãs de algumas regiões da África e da Ásia estão sofrendo por causa da fé. No Brasil como em outros países onde os cristãos constituímos ainda a maioria da população vivemos amparados pelas leis que garantem o exercício da liberdade religiosa. No entanto, a realidade que constatamos hoje é que, por um lado, as pessoas estão abandonando a Igreja, e que, por outro, a sociedade vai se secularizando a um ritmo que não pára de crescer. Isso, sem contar com os dois graves problemas internos pelos quais passa a Igreja atualmente: a divisão que sofremos os cristãos entre nós mesmos e o neo-paganismo que impregna ainda muitas consciências mal formadas naquilo que diz respeito à fé e à moral católicas. Diante do panorama desesperançador que nos rodeia e da cultura cada vez mais desumana que nos envolve (aborto, divórcio, anticoncepcionais, promiscuidade, ideologia de gênero, corrupção, exploração laboral...), o XVI Congresso Eucarístico Nacional nos propõe retomar a Eucaristia como cume e ápice do amor e da unidade que caracterizam a comunidade cristã. A missão da Igreja é, em primeiro lugar, transformar os corações das pessoas para, desse modo, mudar as situações de sofrimento e injustiça que possam existir no nosso meio. A novidade do Evangelho traz consigo o fato de iluminar a realidade do homem enquanto criatura que precisa do seu Criador, porque todos nós fomos criados para o amor, porém, não qualquer caricatura ou falsificação feita do amor, senão o eterno e o incondicional manifestado na morte redentora de Jesus Cristo.
Assim, como acontecia nas primeiras comunidades cristãs, hoje, a Igreja tem a missão de irradiar no mundo os sinais que suscitem nas pessoas que não tem fé o desejo de conhecer a Cristo. Tais sinais da fé são o amor na dimensão da cruz (cf. Jo 13,34-35) e a unidade (cf. Jo 17,21-23). Atualmente resulta inútil insistir numa pastoral de sacramentalização se ela não vem precedida e acompanhada por uma pastoral de evangelização dirigida aos afastados. A divisão entre aquilo que me diz a fé e aquilo que são os meus atos pessoais é um dos motivos pelos quais as pessoas abandonam a Igreja cada ano ou aqueles que estão afastados não queiram saber nada dela. Se há que escolher entre o neo-paganismo vivido dentro ou fora da Igreja, as pessoas escolherão viver fora para evitar-se os sentimentos de culpabilidade.
Mais do que nunca, o homem precisa ser iluminado sobre a plena verdade da sua existência e do seu ser pessoal e social. A missão da Igreja direciona-se aos marginalizados e afastados, àqueles que passam por alguma crise de sentido em suas vidas. A unidade dos irmãos na fé e no amor permite que os de fora, vendo as obras de Cristo vivo e ressuscitado na sua Igreja, o reconheçam e sejam atraídos para Ele. Muitos somos testemunhas de verdadeiros milagres morais que acontecem: jovens felizes por ver-se livres dos falsos paraísos que o mundo lhes apresentava, capazes de namorar santamente e defender o seu amor na continência; pessoas que deixaram de viver na indigência porque vivem hoje na comunidade colocando seus bens em comunhão; moços que encontraram em Jesus Cristo a razão da sua vida de serviço no sacerdócio ministerial e para o qual se preparam vivendo com entusiasmo o celibato; matrimônios reconstruídos que se abriram à vida e que Deus abençoou com numerosos filhos; famílias reconciliadas pela paz de Cristo e unidas hoje entorno dos avôs; homens e mulheres bem preparados para exercer suas profissões com responsabilidade e espírito de serviço em favor da vida; viúvas, órfãos e enfermos cuidados pela comunidade, assim como famílias amparadas por ela quando nenhum dos seus membros encontrava emprego. Enfim, numa comunidade cristã cuidamos uns dos outros, rezamos pelos mais débeis, não abandonamos às crianças nem às mulheres grávidas.
Quantas vezes temos deixado, pela nossa conduta, de fazer atraente o rosto de Cristo aos outros? Unidade e coerência na nossa vida em comunidade é o que nos pede o mundo que geme e sofre de dor. Aproveitemos da liberdade religiosa que nos brindam as leis do nosso país para proclamar a Verdade desde os telhados e para abrir nas dioceses e nas paróquias novos caminhos para a Nova Evangelização baseados na iniciação cristã, como tem pedido a Igreja (estudos da CNBB, nº 97), cujo cume é a celebração eucarística, ao final da qual somos chamados sempre para estender sobre o mundo o Reino da vida e da paz que vem do encontro com o Senhor: “Ide em paz!”
Marcos Sabater Muñoz Seminarista do Seminário Redemptoris Mater |