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O sacerdócio ministerial, garantia da unidade eucarística PDF Imprimir E-mail
15-Mar-2010

Se as palavras dos lábios comungam com aquilo no qual o coração acredita, o presbítero não viverá o sacerdócio como uma profissão, mas como um viver-para-Cristo: “Isto é o meu Corpo”...

 

Nos tempos em que vivemos, poucos são os que entendem o verdadeiro e profundo sentido que tem o exercício do poder. O desgaste político e a crise sócio-cultural atuais que nos rodeiam iluminam de forma clara a situação de decadência em que se encontra a chamada 'aldeia global'. As palavras deixaram de ter valor e, desse modo, ficaram privadas de eficácia para incidir nas vidas das pessoas transformando-as. Um mundo cada vez mais fragmentado, dividido e sofrido encara a vida sem outro recurso que os falsos paraísos oferecidos pela indústria pornográfica, pelo narcotráfico ou pelo coma etílico de fim-de-semana. Frente ao sofrimento desgarrador e sem-sentido que experimenta o homem no mais íntimo do seu ser, a Igreja tem a missão urgente de anunciar-lhe – a este homem que desfalece por fome de Deus – a sua vocação última e plena, isto é, que foi criado por Deus num ato supremo de bondade tão amorosa que não tem comparação com nada daquilo que já aconteceu na história. Criado para ser divino e jamais morrer...


O XVI Congresso Eucarístico Nacional, no seu texto-base, nos dá as dicas para regenerar a cultura a partir da nossa fé em Jesus Cristo e o faz indicando o caminho que os cristãos devemos trilhar: Eucaristia, Pão da Unidade dos Discípulos Missionários. À diferença da mentalidade dos poderosos que governam e das potências econômicas que marcam as 'suas' pautas nas relações internacionais, os discípulos de Cristo exercemos o senhorio e a realeza que derivam do nosso batismo por meio do serviço e do amor. É nesse sentido que alguns varões, havendo sido constituídos ministros pelo sacramento da Ordem em virtude da sua idoneidade e tendo recebido o mandato de Cristo de “fazer isto em sua memória”, prestam um serviço à unidade.


Precisamente neste Ano Sacerdotal em que celebramos o 150º aniversário do “dies natalis” do Santo Cura d'Ars, os bispos e os presbíteros são chamados a viverem cada vez mais em conformidade com o ensino, a vida e a pessoa do Senhor, ou seja, chamados à santidade, a ajustar-se ao plano divino, à conversão. No entanto, percebemos que a falta de intimidade com Jesus Cristo traz consigo o grave perigo do 'funcionalismo clerical', cujas raízes mais próximas podemos encontrá-las no 'abandono interior' da oração e da vida sacramental, na ausência da vida em comunidade dentro do próprio presbitério ou da comunidade cristã, e na idolatria da 'perfeição externa' para ser estimado por todos como alguém que “já chegou” à sua meta. A partir daí, a queda virá logo depois: indiferença, insensibilidade, frustração, insatisfação e, por fim, o suicídio espiritual. Se a vida interior do cristão, mas especialmente a do sacerdote, não estiver animada pelo Espírito do Filho nem fundamentada nos seus sentimentos, gestos e palavras, então a sua vida, sua vocação e seu ministério deixarão de ter sentido. Mas se as palavras dos lábios comungam com aquilo no qual o coração acredita, o presbítero não viverá o sacerdócio como uma profissão, mas como um viver-para-Cristo: não como a suma de um Tu espiritual (Cristo) mais um Eu físico-corporal (o padre), senão como um Nós em íntima união até o ponto de Jesus mesmo agir na pessoa do sacerdote.


“Isto é o meu corpo... Isto é o meu sangue”... No sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, a Igreja encontra o sentido e o alimento para perseverar no seu peregrinar por este mundo levando os homens ao encontro com o Ressuscitado. Se a unidade e o amor não brilham nas nossas comunidades, paróquias e dioceses, é porque algo não está encaixando bem. No Brasil como no resto do mundo, a Igreja sofre terrivelmente devido às divisões internas provocadas por aqueles que, chamando-se a si mesmos de cristãos, falseiam e manipulam a mensagem evangélica de nosso Senhor. Entre eles encontram-se leigos, religiosos, padres e até bispos que, de pensamento, palavra, ato ou por omissão, não estão em plena comunhão com o Santo Padre, sucessor de Pedro, naquilo que diz respeito ao magistério em questões de fé e de moral. A Igreja é chamada hoje mais do que nunca a preservar a unidade para ser fiel a sua vocação: testemunhar o amor redentor de Deus aos homens... e que melhor forma do que celebrando a Eucaristia e comungando com o Corpo e o Sangue de Cristo em comunhão com toda a Igreja!

Marcos Sabater Muñoz
Seminarista do Seminário Redemptoris Mater

 

 
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