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Conferencia do Bispo de Belley-Ars sobre o Santo Cura d'Ars PDF Imprimir E-mail
19-May-2010

 

  “A cruz é o que dá a plenitude à vida do cristão, ainda que não vejamos imediatamente a fecundidade do nosso trabalho”.


   O Seminário Missionário Arquidiocesano 'Redemptoris Mater' de Brasília contou, na segunda-feira, pela manhã, com a presença do Bispo de Belley-Ars, Diocese da França, Dom Guy-Marie Bagnard. O prelado proferiu uma conferência celebrada na Aula Magna do Seminário sobre a pessoa e vida do Santo Cura d'Ars, São João-Maria Vianney. O evento contou com mais de 150 participantes, entre sacerdotes, diáconos, seminaristas e leigos.
   No início da sua palestra, Dom Guy-Marie destacou a multiplicidade de formas que existem para conhecer mais a fundo a vida de santidade do Patrono dos sacerdotes. Nesse sentido, “o Papa Bento XVI, ao declarar este Ano Sacerdotal, nos convidou a espelhar-nos neste padre santo para não desanimar no nosso crescimento espiritual”.

   Partindo do ensino do Concílio Vaticano II, o Bispo chamou a atenção sobre o fato de que a vocação à santidade é para todos os fiéis, porém, “este chamado é especialmente para os padres, porque eles estão particularmente expostos ao perigo”. Segundo ele, “o perigo do presbítero está em cair num funcionalismo do culto, tornando-se estranho para ele aquilo que celebra nos sacramentos”. Desse modo, “surge no padre uma duplicidade de vida, porque se produz uma divisão entre aquilo que celebra e diz, e aquilo que vive dentro de si”.

   Aprofundando no dia-a-dia do Santo Cura d'Ars, Dom Guy-Marie sublinhou os seus modos austeros e sóbrios, o espírito penitente, a dedicação à pregação e a escuta atenta na confissão. Além disso, ele não descuidava dos doentes, visitando-os com freqüência e dando continuidade aos seus afazeres pastorais por mais de quarenta anos seguidos em Ars, que então contava com pouco mais de 210 habitantes.
   “Para conhecer e entrar no coração espiritual de São João-Maria Vianney é necessário partir de dois fatos incontestáveis pelos historiadores”, segundo o Bispo. Em primeiro lugar, “ele tinha profundamente clara a sua incapacidade e fraqueza intelectual”, por isso “ele nunca teve confiança em si mesmo”. De fato, se foi aceito à Ordem Sagrada, “foi porque o seu pároco era muito amigo do Vigário Geral da diocese”. Contudo, a sua vocação começou a manifestar-se a partir do encontro com alguns padres que eram perseguidos pelas autoridades na Revolução francesa, arriscando até mesmo a própria vida devido à fidelidade que professavam ao Sucessor de Pedro.
   Em segundo lugar, João-Maria Vianney destacou-se pelo zelo missionário “contribuindo financeiramente com as missões em toda a França”. Neste ponto, Dom Guy-Marie perguntou aos participantes: “por um lado ele sentia-se totalmente incapaz, mas por outro lado tinha um espírito missionário, então, como podiam conciliar-se duas posições tão distantes entre si? Simplesmente, ele repousava o seu espírito em Deus; por isso, eu acho que não há outro padre mais místico que o Cura d'Ars”, afirmou.
   D. Guy-Marie concluiu a sua conferência exortando aos futuros presbíteros e aos já ordenados “a ter clara a profundidade do mistério da cruz e a dar o nosso consentimento    no sacrifício da cruz”. Nesse sentido, “a cruz é o que dá a plenitude à vida do cristão, ainda que não vejamos imediatamente a fecundidade do nosso trabalho”.

   Após a conferência, o Bispo de Belley-Ars presidiu a Eucaristia na capela tendo por concelebrantes os formadores e mais de trinta padres. O coração de São João-Maria Vianney que permaneceu durante toda a noite de domingo no Seminário, estando sempre acompanhado por alguns padres e seminaristas em vigília, foi conduzido pelo Bispo em sua viagem de retorno para a França.

   Marcos Sabater
 
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